18/7/06
Saber viver é a grande sabedoria - Cora Coralina

(foto produzida por Caique)
Zeca Baleiro canta: "Minha cora minha coralina /mais que um goiás de amor carrego /destino de violeiro cego.."

(foto produzida por Caique)
Zeca Baleiro canta: "Minha cora minha coralina /mais que um goiás de amor carrego /destino de violeiro cego.."

(foto produzida por Caique)
Foi mais uma bela viagem com o mesmo grupo de amigos que no feriado de 1º de Maio nos acompanhou durante o passeio à Goiás Velho. Dessa vez nosso destino foi o distrito de São Jorge, porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
De Brasília a São Jorge, uma estrada tranqüila, longe das ultrapassagens dos ônibus e caminhões, apenas paisagens que refletiam a imensidão daquele lugar. A medida que íamos nos aproximando da vila, surgiam colinas de diversos formatos que quebravam a melancolia do ambiente. Chegamos à cidade junto com o entardecer e lá tivemos uma calorosa recepção daquelas pessoas queridas que chegaram antes de nós.
Sempre ouvia falar das maravilhas do lugar mas sentia um certo receio dos obstáculos que teria que enfrentar para poder desfrutar daquele paraíso ecológico. Insetos, trilhas complicadas, carrapatos, poeira, eram fortes motivos para alguém como eu, criada próxima aos arranha-céus e as buzinas, desistir. Só que havia um motivo maior: viajar, mudar de ares. Realmente foi uma mudança de ares.
Fomos premiados com uma guia especial. O nome dela era Marie, a princípio pensávamos que era francesa, após passarmos o dia com ela, descobrimos que era paulista e que tinha sido criada em São Lourenço, Minas Gerais. Uma enfermeira que virou guia e há cinco anos morava naquela região.
A primeira etapa do passeio contratado foi ao Vale da Lua. No meu primeiro contato com aquelas formações rochosas de aspectos e cores diferentes que às vezes pareciam esculturas, outras vezes, pisadas de gigantes ou patas de dinossauros, tive a sensação de estar em algum planeta distante no universo.
Apesar de ser um grupo diversificado, de diferentes idades e perfis, seguimos em frente cada um com seus limites. Éramos nove: eu, minha mãe, Cecília, João, Luiz, Caíque e Débora, Lucas e Bia. Durante a caminhada, Marie nos explicava um pouco da geografia do lugar: “- Esta é a serra do Segredo… o rio é São Miguel com suas águas esverdeadas…estamos pisando em solo formado por cristais, estamos no lugar que mais brilha no planeta….”
Ela era mais que uma guia, nos explicava os efeitos medicinais das plantas, da argila. Passava arnica nos nossos joelhos para agüentarem a caminhada, servia na tampinha do frasco um líquido que dizia ser extraído do jatobá. Quando chegamos a Tocantinzinho, a nascente do rio Tocantins, fizemos um círculo para agradecer ao sol por tudo aquilo que presenciávamos. Todos besuntados de argila. Parecíamos uma tribo de índios ou talvez seres extraterrestres. Fizemos ioga, gritamos Rá para o irmão Sol e no final fizemos uma roda da amizade. Cada um falava uma palavra: “felicidade, beleza, amor, paz..” e por fim, nosso amigo Luiz, finalizou com a palavra AMIZADE.
Imaginei a importância de estarmos ali com toda aquela energia dos cristais que possibilitam que aquele solo se destaque de todos os lugares da Terra. Fomos escolhidos e privilegiados para estar naquele lugar tão especial, o lugar mais brilhante de todo o Planeta.
Não tenho dúvida. O paraíso está muito próximo de nós.
Na última sexta, estava entretida com o meu trabalho quando recebi a visita especial do meu amigo Luiz e de sua filha, a Bia. Luiz com um sorriso largo, era só alegria, trazia com ele a excelente notícia de sua nova viagem. Uma daquelas viagens que a gente sonha em realizar. Resolução de última hora que a gente evita pensar nos detalhes para não desistir. Viagens daquelas com direito a avião, albergue, europass, a travessia do Atlântico. Ele falava sobre o roteiro, com o entusiasmo de quem quer descobrir o mundo. França, Itália e Tunísia… - TUNÍSIA?! Perguntei. Ao tentar definir o tipo da viagem, disse: - É para viajar como “mochileiro”… E com ares de um grande negociador, falou: Para ir também à Tunísia é só mais USD 100. Em seguida veio a pergunta tentadora: - Vamos? Minha resposta foi automática: Não dá. No ano que vem tem Disney com os afilhados. Nessa hora, outro desejo de viajar surgiu. Era a Bia que reinvidicava o seu direito de conhecer a Disney, lembrando ao pai a promessa não cumprida. Logo, me ofereci para levá-la e ela prontamente aceitou.
Fui para casa pensando na oportunidade de conhecer a Tunísia, o sul da Itália. Recordações da minha 1ª viagem à França foram surgindo junto com uma grande vontade de arrumar a mochila e me juntar ao grupo do Luiz. Só que veio o final de semana, tempo suficiente para fazer as contas e concluir que o desejo dessa vez não poderá ser realizado.
Ficarei na torcida para que tudo resulte em maravilhosas descobertas e agradáveis surpresas para você.
Herança de família
Viajar sempre foi um assunto bastante comentado em nossa família. Desde pequena escutava minha mãe falar sobre as viagens do meu avô Acyr pelo mundo. Para ele não importava o destino, mas a vontade de conhecer o novo. Como verdadeira canceriana que sou, imaginava como seriam as comidas, as roupas, as pessoas desses lugares que pareciam tão distantes para mim.
Não me recordo a primeira vez que saí do Rio de Janeiro… A minha primeira viagem que tenho registrada na memória foi nossa ida de férias para o Piauí, Campo Maior, cidade natal do meu pai. Estava com 5 ou 6 anos diante daquele avião que apesar do tamanho não me assustou.
Sentia-me literalmente no ar. Poder estar no céu, como nos desenhos que assistia, era um sonho. Grudada na janela, buscava descobrir, no formato das nuvens, bichos feitos de algodão e ficava imaginando o gosto que elas deveriam ter. Nem a forte dor nos ouvidos, suavizada pelo algodão fornecido pela aeromoça, atrapalhava a agradável sensação de voar. Costumo definir sensações como essa como momentos mágicos.
Desse momento não tenho postais nem fotos, mas foi a partir dali que soube o que queria para o meu futuro: viajar, conhecer o mundo.